Por: Adna Souza
O texto Todorov nos confronta com o questionamento “existem
valores universais, que possam levar julgamentos para além das fronteiras, ou
todos os valores são relativos”, provocado a reflexão do leitor a cerca da
diversidade humana, aborda também o não respeito às diferenças.
O título “Nós e os outros” deixa nítido o que irá ser
retratado no texto o confronta mento da compreensão com o que é diferente, que
não é uma tarefa fácil. O que remete ao etnocentrismo, defesa de um grupo de
valores como correto e estabelecimento de tais como mundiais, estabelecendo um
padrão, que generaliza o modo de ser do individuo, a cultura, os diversos
comportamentos, os momentos diferentes durante a história. Tendo relatos no
texto bastante antropocêntricos, dos quais chamam outras civilizações de
selvagens, sendo que os métodos de pesquisa que foram criados pelos próprios
filósofos, utilizando as analises preconceituosas.
Na época analisada, os pensadores tentam retratar além de
sua realidade, a partir da analise do ambiente em que vivia, como se o homem
fosse um ser geral, apesar de que La Buruyere admite que haja mudanças de
costumes de acordo com as épocas, ou seja, os padrões são mutáveis, além
deixando claro que só conhecer a França e a corte francesa.
Pascal admite a imensa diversidade cultural, critica a
religião cristã “É preciso confessar que a religião cristã tem algumas coisas
de espantosa. (...) Mas, certamente, é porque religião não é um costume porque
ignoram a verdadeira fé; quem a conhece vive na absoluta, fora do costume.” A
religião cristã em diversos momentos na história se demostra como
preconceituosa, detentora da razão, em que renega a pluralidade de costumes em
nome do que é dito como absoluto e universal, tratando as outras religiões como
falsas, a partir dessa dita superioridade, se ver como capaz de julgar o mundo.
Há grupos que se dizem mais superiores a outro, pelo motivo
do outro raciocinar de modo dessemelhante, é uma justificativa para se
considerarem mais civilizados, julgando a sua maneira de pensar é a única boa.
Além de presumir que o tom da pele, a língua, as regras, como melhores e
adequadas para os outros, o pensador La Bruyé, um dos citados, cometeu esse
equivoco, ao elege a França, como “o país que é o centro do bom gosto e da
polidez”(De la sociéte,71, p.170).
Todorov discorre que não é possível ser universalista sem
ser etnocêntrico, que quando se estabelece um padrão dito melhor e mais
adequado a todos, a consequência desrespeitar as particularidades.
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